sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MEMÓRIAS DO PADRE GERMANO- PART. DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULOXXI


Iniciação aos clássicos espíritas





Memórias do Padre Germano

Amalia Domingo Soler

Parte 3

Continuamos o estudo metódico e sequencial do livroMemórias do Padre Germano, com base na 21ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Como o Padre Germano conceituava os ateus?
B. Tem valor a oração que se faz como mera rotina, mecanicamente?
C. Que significado teve, para o Padre Germano, o caso Madalena?

Texto para leitura

17. A Fonte da Saúde é o assunto principal do cap. 5, em que o Padre Germano, reconhecendo que a Religião só admite a verdade, afirma que “as religiões... são o manto das misérias humanas”. (P. 51)
18. Para o Padre Germano, as religiões devem servir para aproximar o homem de Deus, porque constituem um freio ao galope das paixões; contudo, tão ateu é o que diz não crer em Deus como o que levanta uma capela para encobrir um crime. (P. 52)
19. Foi exatamente isso que uma rica mulher propôs a Germano. Sua filha Clarisse seria mãe, mas a criança era fruto de um amor incestuoso: ela e um irmão (filho bastardo de seu pai) haviam sido vítimas de satânica tentação (pelo menos foi assim que a mulher classificou o caso). Na presença do Padre Germano, a rica mulher propôs: “Quando o filho do crime, quando o fruto do incesto vier ao mundo, é necessário sufocar-lhe o choro; e, para desagravo do Eterno, levantaremos sobre a sua ignota sepultura uma ermida, que tomará o lugar da fonte próxima e se denominará a Capela da Saúde”. (PP. 56 e 57)
20. Padre Germano cortou-lhe a palavra, censurando-a amargamente: “Quereis levantar um templo sobre um túmulo! Quereis que o sangue de uma criança sirva de argamassa às pedras de uma nova igreja, levantada para encobrir um crime!” “Não blasfemeis mais, senhora, porque ai dos blasfemos... Acreditais que os incestuosos serão menos culpados, se depois de cometerem um assassínio dispuserem as primeiras pedras de uma catedral? Ah! senhora, Deus não quer templos de pedra, porque Ele os formou, múltiplos, na consciência de cada homem”. (P. 57)
21. Assustada com as palavras do Padre, que não descansou enquanto não achou uma família que adotasse a criança, a mulher concordou com o nascimento e a sobrevivência do menino. Ao regressar à Corte, depois do parto, Clarisse apertou a mão do Padre Germano e lhe disse: “Obrigada, Padre; quando para aqui vim, estava desesperada, e, graças a vós, hoje me encontro tranquila. Velai por ele, meu Padre, e, quando possa rezar, ensinai-o a rezar por sua mãe”. (P. 58 e 59)
22. “O Melhor Voto” é o título do cap. 6, em que o Padre Germano, deplorando o vazio das comunidades religiosas, assevera que o trabalho a que mais se dedicam os religiosos é absolutamente estéril, uma vez que a oração a horas fixas é penosa tarefa, é mera rotina,  é qual pássaro sem asas que, ao invés de alçar-se às alturas, rasteja e cai ao solo. “As preces elevadas ao som do campanário – diz Germano – não transpõem as grades do coro; são como mananciais que rolam entre barrancos pedregosos, sem deixar vestígios de sua passagem.” (P. 61)
23. Neste capítulo, em que nos relata o caso Madalena, Padre Germano reitera sua opinião a respeito dos conventos, para ele um verdadeiro contrassenso, lugar de estacionamento para os espíritos e, finalmente, um inferno para as mulheres, como ele pôde comprovar ao ouvir em confissão muitas monjas. (P. 62)
24. Madalena era o consolo, o arrimo e a alegria de um velho homem, pai de prole numerosa que perdera a esposa, a maior parte de sua fortuna e, por cúmulo, quase cego ficara. Dos sete filhos a sustentar, apenas ela, a filha mais velha, o ajudava no sustento do lar; contudo, convencida pelos conselhos de um missionário, a jovem decidira entrar para um convento. (PP. 63 e 64)
25. Desesperado com essa notícia, o pai – que era adepto da Reforma protestante – pediu ajuda ao Padre Germano. Perdê-la para sempre, saber que ela vivia, mas não vivia para os seus, seria para ele como a morte... O Padre Germano prometeu ajudá-lo e assim o fez, mostrando a Madalena que a vida de clausura é contrária à lei natural, que a mulher não veio à Terra para encerrar-se num convento e que o bom caminho, a ela destinado, não era abandonar seu pai nos derradeiros momentos de sua vida, quando havia perdido esposa, fortuna e a preciosa luz dos olhos, mas servir à sua velhice, alegrar a noite de sua existência, aceitar o afeto de um homem de bem, proporcionando assim a seu pai um novo arrimo. (PP. 64 a 66) (Continua na próxima edição.)

Respostas às questões preliminares

A. Como o Padre Germano conceituava os ateus?
Ele dizia que as religiões devem servir para aproximar o homem de Deus, porque constituem um freio ao galope das paixões; contudo, tão ateu é o que diz não crer em Deus como o que levanta uma capela para encobrir um crime, o que costumava ocorrer em seu tempo. (Memórias do Padre Germano, pp. 51 e 52.)
B. Tem valor a oração que se faz como mera rotina, mecanicamente?
Segundo Germano, a oração a horas fixas é penosa tarefa, é mera rotina,  é qual pássaro sem asas que, ao invés de alçar-se às alturas, rasteja e cai ao solo. “As preces elevadas ao som do campanário – disse ele – não transpõem as grades do coro; são como mananciais que rolam entre barrancos pedregosos, sem deixar vestígios de sua passagem.” (Obra citada, pág. 61.)
C. Que significado teve, para o Padre Germano, o caso Madalena?
Esse caso apenas reforçou sua aversão aos conventos, para ele um lugar de estacionamento para os espíritos e um inferno para as mulheres, como pôde comprovar ao ouvir em confissão muitas monjas. Madalena era o consolo, o arrimo e a alegria de um velho homem, pai de prole numerosa que perdera a esposa, a maior parte de sua fortuna e, por cúmulo, quase cego ficara. Dos sete filhos a sustentar, apenas ela, a filha mais velha, o ajudava no sustento do lar; contudo, convencida pelos conselhos de um missionário, a jovem estivera a ponto de entrar para um convento, deixando para trás seus deveres de filha. (Obra citada, pp. 62 a 66.) 


Nota:
Links que remetem aos textos anteriores:





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terça-feira, 5 de setembro de 2017

SÓ TEMOS NO CORAÇÃO O QUE PERMITIMOS COLOCAR REP. DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULO XXI

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Contos e crônicas




Só temos no coração o que permitimos colocar

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

No coração caberá tudo o que desejarmos colocar. Se há pouco ou o que há não é tão bom, ou ainda não há o que se deseja, simplesmente somos os inteiros responsáveis. No entanto, sempre há o início para a transformação... e a eternidade é o tempo real.
Se somos os responsáveis pelo que vivemos, tão melhor o apreço ao que é benéfico, leve e mais iluminado, pois por meio da apreciação é que, de alguma forma, a compreensão começa a brilhar. A vida nos apresenta condições e estágios para o crescimento e a cada degrau conquistado mais gratidão nos preencherá junto de notáveis sentimentos que apenas com o esforço é que se pode senti-los.
Se o olhar busca o infinito é pelo fato de revigorar-se na direção abençoada dos olhos de Jesus que nos cuida. Se o olhar observa ainda mais o lindo movimento das flores e plantas que o vento provoca e não se incomoda com a sujeira que as folhas fazem é pelo motivo de a atenção estar mais leve e depurada. Se as recordações dos acontecimentos suspiram e sorriem é em razão de as lembranças estarem como realmente devem ser: com a bela essência. E se há mais palavras bondosas e pacientes proferidas, então o exercício pelo progresso está acontecendo de maneira harmonizada.
Em todo lugar e de toda maneira, haverá situações com as quais nos identificamos; as afortunadas sempre nos trarão paz e bem-estar e as opostas nos pesarão, porém, o livre-arbítrio é faculdade universal e escolheremos o que mais nos atrai a cada tempo.
Embora Deus seja o nosso criador teremos Dele apenas o que couber em nosso ser. Sua magnanimidade inquestionável deseja tanto o nosso entendimento, progresso na linha natural da evolução. Logo, tudo o que não nos agrada possa transformar-se em decisivo exemplo a não aumentarmos os cordões de distanciamento dos jardins floridos e perfumados os quais o nosso espírito realmente busca.
Tão certa é a sensação dos nossos atos e pensamentos. Como é denso o sentimento desequilibrado e, por vezes, não muito bondoso. Estados são transitórios, todo quadro mental é passível de renovação e à medida que as boas atitudes, os positivos sentimentos ganham determinação, naturalmente pinceladas de belas cores da alegria da vida começam a animar e o coração vai tornando-se mais leve e espaçoso para os abençoados preenchimentos da criação do Pai.
Se o universo individual é do tamanho do que é capaz de sentir e assimilar, que deseje, então, crescer para infinitas belas ocasiões ele vivenciar e conhecer. E se a breve prece não é suficiente, o coração deve estender-se em silêncio, recolhimento para alcançar cada vez mais a compreensão da nobreza que é viver e toda sua infinda forma de apresentar-se. Em todo acontecimento sempre há o lado positivo, mesmo que seja observado nele mais dor que paz, mas como já se sabe, para todos os seres há a completa razão de sua existência.
Acordemos quanto antes. Vamos ver os amanheceres e encantar-nos com os voos dos passarinhos libertos, com a alegria de um abraço que, por ele, podemos ser curados e curarmos também, vamos desapegar-nos de coisas e abrir mais espaço para o que é bom e renovador. Não nos esqueçamos de que só temos em nós o que permitimos colocar.
E perceberemos que a criança brincando no parque florido tem o coração bem mais feliz, basta observar o seu doce e sincero sorriso nos lábios e no seu olhar.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura:http://contoecronica.wordpress.com/





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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

PÍLULAS GRAMATICAI REP. DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULO XXI




Pílulas gramaticais (272)





O verbo parecer [do lat. vulg. parescere, incoativo de parere, 'aparecer'] tem vários significados.
Quando significa ser semelhante, igual ou análogo, dar ares de, assemelhar-se, o verbo parecer presta-se a dois tipos de construção, ambos corretos.
Exemplos:
1. Os meninos pareciam estar assustados. Os meninos parecia estarem assustados.
2. As estrelas parecem brilhar. As estrelas parece brilharem.
3. Tu pareces estar doente. Tu parece estares doente.
No primeiro caso, na frase “Os meninos pareciam estar assustados”, o sujeito da oração é “Os meninos”. Na frase seguinte – “Os meninos parecia estarem assustados” – o sujeito da oração é a frase “estarem assustados”.

*

Sobrancelhas (ê) é assim que se escreve. Não existe sombrancelhas.
Sobrancelhas significa: nome que se dá aos pelos dispostos em forma de semicírculo na pele da margem superior de cada órbita; supercílios, sobrolho. A palavra é também usada no singular: sobrancelha.




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sábado, 26 de agosto de 2017

Q AMOR EM AÇÃO COMBATE ATÉ DEPRESSÃO - REP. DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULO XXI


Contos e crônicas





O amor em ação combate até depressão


JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

No sábado passado, 19 de agosto de 2017, estivemos novamente no Guillon Ribeiro, núcleo da Federação Espírita Brasileira situado em Santo Antônio do Descoberto, Goiás. Ali são desenvolvidas diversas atividades de assistência social no período matutino.
Um dos vários grupos é o nosso. Como de hábito, já em Goiás, com outros dois ou três voluntários, visitamos cinco famílias dentre as mais sofridas.
A primeira foi a do rapaz de trinta anos que, desde seu nascimento, jaz em seu grabato semicego, mudo e com movimento corporal apenas da cintura para cima. Cuida dele a devotada mãe. A segunda visita foi a senhora com um inchaço no rosto e outro nas pernas. Em seguida foi a vez da jovem paralítica de quatorze anos, também muda, alheia ao que se passa ao redor de sua cama. Também é cuidada, amorosamente, pela mãe e padrasto. A quarta família visitada foi a de dois idosos. Ele, esquelético e sempre adormecido, jaz encolhido, em seu catre, entre a vida e a morte, enrolado em fino cobertor. Acompanha-o a esposa, que se move em cadeira de rodas, triste e chorosa. Comove a cena, embora os cuidados prestados a ambos pela filha e genro. A última visita foi à casa do rapaz de trinta anos de idade, paralítico e em estado de coma há cerca de quinze anos. Seu pai, idoso, aposentou-se poucos anos atrás e sofre de hanseníase, mas está sempre alegre e bem-disposto, quando nos recebe.
Todas essas famílias têm benefícios do Núcleo Guillon Ribeiro, como cestas básicas, roupas e medicamentos, qual ocorre com dezenas de outras casas do local. Nossas visitas, aos sábados, são realizadas para levar-lhes mensagem, palavra amiga, preces e passes. Tudo isso com muito respeito à crença de todos eles e sem imposições.
Neste tempo de incredulidade e depressão, em que o número de suicídios, no mundo, tem atingido níveis epidêmicos, mais do que nunca, a benefício próprio, é preciso nosso engajamento em atividades sociais como essa.
Então, amigos, vocês que pensam ter problemas, saiam de casa, ao menos uma vez por semana e vejam que isso é nada, ante tanta dor ainda existente no mundo. Visitem os enfermos, deem-lhes uma palavra amiga, de esperança, de fé em Deus. Levem, também, pão e agasalho aos necessitados. Doem alegria, otimismo onde e a quem puderem, porque, conforme nos diz Jesus, o Reino de Deus não é de quem apenas promete e aconselha muito, muito menos dos indiferentes, mas dos que, socorrendo as misérias do mundo, passarão à sua direita, como consta no Evangelho:

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:  Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e me fostes ver [...]. (Mateus, 25:34-40)

— E que fazer para combater minha depressão?
— Faz o seguinte: procura a FEB, sábado, 7h da manhã, na quadra 603 da av. L2 Norte e diz que é voluntário para o trabalho em Santo Antônio do Descoberto. A saída é às 7h10 e o retorno, às 13h30. Com isso, e umas boas caminhadas, não há depressão que aguente.
Ah, você prefere colaborar aqui mesmo, no Plano Piloto. Então procure o Núcleo da FEB na 909 Norte, mesma entrada do Grupo Espírita Irmão Estêvão. Porque, como diz Allan Kardec, “Fora da caridade, não há salvação!”






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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

PÍLULAS GRAMATICAIS (269) REP. DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULO XXI



Pílulas gramaticais (269)




Reiteramos o que já dissemos oportunamente, ou seja, que a frase “Face ao que encontramos lá, tivemos de voltar” contém um erro que devemos evitar sempre: o galicismo “face a”.
Em português temos “em face de”. Assim, a frase citada deve ser substituída por esta: “Em face do que encontramos lá, tivemos de voltar”.
A palavra face – que significa, entre outras coisas, a parte anterior da cabeça, que se estende dos olhos ao queixo – integra diversas locuções ou expressões bastante usadas no Brasil.
Eis algumas delas:
Face a face – em frente, sem nada ou ninguém de permeio; em presença; um diante do outro, em situações opostas, defrontando-se; barba a barba, frente a frente, fronte por fronte, cara a cara, rosto a rosto, de rosto. 
Em face de – perante, defronte; em frente de, diante de; face a face com; na presença ou vista de; diante de; perante; à face de; em virtude de.
À face da letra – com sentido manifesto; inteligivelmente.
À face de – em face de.
À face do mundo – diante de quem quiser ver; abertamente; às claras; em público.
Dar de face – dar de encontro a; encontrar, deparar.
De face – em posição que permita ver toda a face; de frente.
Fazer face a – não fugir a (o inimigo ou uma dificuldade); fazer rosto a; resistir a; opor-se a; remediar um inconveniente; prover a; custear; ter a fachada voltada para (determinado ponto).
Lançar em face a – lançar em rosto a. 

*

Viger [do lat. vigere] é assim mesmo que se escreve. Não existe vigir. Viger significa ter vigor, ou estar em vigor ou em execução; vigorar.
Exemplos:
- Na Espanha há uma norma idêntica à que vige em nosso país.
- Este estatuto passa a viger daqui a 30 dias.
- O regimento de nossa casa vigeu por vários anos.
O verbo viger conjuga-se como o verbo sofrer, mas não possui a primeira pessoa do singular do presente do indicativo, que tem as seguintes formas: tu viges, ele vige, vigemos, vigeis, vigem.



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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A CRISE DA MORTE - REP DE O BLOG ESPIRITISMO SÉCULO XXI


Iniciação aos clássicos espíritas





A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

Parte 6

Damos continuidade ao estudo do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quem foi, na Inglaterra, Felicia Scatcherd e que contém sua comunicação post mortem?
B. Que disse Felicia Scatcherd sobre os "germes da vida" e os "fluxos vitais"?
C. Que revelações nos traz o décimo quarto caso?
D. Por que a reencarnação não era, entre os povos anglo-saxões, ensinada por todos os Espíritos?

Texto para leitura

84. Décimo terceiro caso – Este caso vem da revistaLight, de 1927. Trata-se da manifestação de Miss Felicia Scatcherd, alguns meses depois de sua morte, ocorrida em 27/3/1927. Miss Scatcherd fora, em vida, uma das personalidades mais em evidência no movimento espiritualista inglês. Foi ela quem fez as primeiras experiências importantes de que nasceram as teorias da "fotografia do pensamento" e da "ideoplastia". (P. 115)
85. Eis os detalhes contidos na mensagem de Felicia Scatcherd: a) a informação de que o trespasse lhe foi fácil; b) o reencontro com muitas pessoas queridas, inclusive sua mãe; c) o fato de ter sido conduzida a uma maravilhosa morada que os próprios Espíritos haviam criado pela força do pensamento; d) a notícia da existência de outras esferas infinitamente superiores à em que estava; e) o período de sono reparador, ainda que muito curto; f) a visão panorâmica dos fatos de sua vida, se bem que sob a forma de uma multidão de lembranças que lhe invadiam a mente; g) a visão de uma nuvem fluídica que havia de lhe constituir o "corpo espiritual", chegando ela a modelar o próprio semblante, a que deu traços juvenis. (PP. 117 a 121)
86. Bozzano destaca, ainda, entre tantas informações trazidas por Felicia, a que diz respeito à existência de esferas espirituais mais elevadas, de onde os Espíritos que as habitam enviariam os "germes da vida" aos outros mundos do Universo, empregando o poder criador do pensamento. (P. 122)
87. Segundo ela, haveria entidades espirituais muito elevadas que, pelo seu pensamento criador, engendrariam "fluxos vitais". Estes, atingindo os mundos e saturando-lhes o protoplasma primitivo, lhe transmitiriam os germes da vida vegetativa que, graças a um processus evolutivo muito lento, a realizar-se no meio físico, através dos quatro reinos da Natureza, acaba por engendrar a sensibilidade, depois a motricidade, em seguida o instinto animal, os primeiros albores da inteligência e, por fim, a inteligência consciente de si mesma. Assim se chegaria à criação de uma individualidade pensante. (PP. 122 e 123)
88. Décimo quarto caso - O episódio que se segue foi retirado do livro: Messages from the Unseen. Trata-se de uma santa mãe que se comunicou por intermédio de sua filha. (P. 124)
89. Eis os detalhes contidos nas mensagens: a) o esquecimento de como se deu sua travessia para o meio espiritual; b) o sono reparador, após o que ela se viu renovada, exuberante de vida, mais lúcida de espírito e mais ditosa; c) o encontro com os seres que ela amara na Terra; d) a informação de que uma vida de lutas e sofrimentos na Terra favorece o bem-estar da pessoa na vida espiritual; e) a confirmação de que, no meio espiritual, os pensamentos substituem a palavra e não apenas vibram em uníssono com as almas, como revestem cores admiráveis e se transformam em sons muito harmoniosos; f) a notícia de que as vestimentas no mundo espiritual são criações do pensamento, constituídas de elementos tirados do meio espiritual; g) a informação de que a recordação de suas existências anteriores lhe viria gradualmente. (PP. 125 a 128)
90. Bozzano lembra que as circunstâncias do trespasse da comunicante, um pouco diferentes das vividas pela maioria dos Espíritos, se deviam à evolução de seu Espírito. Assim é que ela não disse ter ignorado a sua morte, nem que tenha passado pela experiência da "visão panorâmica" dos acontecimentos da vida, detalhes comuns à maioria das revelações transcendentais. (PP. 128 e 129)
91. O autor destaca, ainda, como detalhe secundário, que concorda perfeitamente com o que relatam outros Espíritos, a informação de que a paisagem "astral", por ela descrita, se compõe de duas séries de objetivações do pensamento, distintas uma da outra. A primeira, permanente, representa a objetivação do pensamento e da vontade de entidades espirituais muito elevadas; a outra, transitória e mutável, seria a objetivação do pensamento e da vontade de cada entidade desencarnada, criadora do seu próprio meio imediato. (P. 130)
92. A comunicante referiu também haver percebido, ao despertar, uma onda de "música transcendental", fenômeno esse que, às vezes, se produz no leito de morte de enfermos espiritualmente elevados, mas que não é percebido por todas as pessoas presentes. Deduz-se então, relativamente aos que não o percebem, que a tonalidade vibratória de seus "corpos etéreos" não estava suficientemente apurada para sintonizar-se com a tonalidade vibratória dos acordes musicais muito elevados. (P. 131)
93. A esse respeito, Bozzano diz que os Espíritos mostram-se unânimes em afirmar que, no meio espiritual, os acordes musicais apresentam um valor psíquico-construtivo de primeira ordem, que corresponde, de modo impressionante, a uma das nossas mais importantes generalizações científicas, segundo a qual tudo o que o Universo contém parece poder ser reduzido a um múltiplo ou submúltiplo de uma grande lei misteriosa: a lei do "ritmo", que reduziria todo o Universo – matéria e espírito – a um fenômeno de "vibrações". (PP. 131 e 132)
94. A autora da mensagem diz ter experimentado a sensação do "já visto", sensação que subentende a teoria das "vidas sucessivas", isto é, a hipótese reencarnacionista, único ponto importante em que existe um desacordo parcial nas mensagens dos Espíritos: entre os povos latinos, eles afirmam constantemente a realidade da vidas sucessivas; entre os povos anglo-saxões, estão eles em desacordo, na proporção de dois terços que negam a reencarnação e um terço que a afirma. Não se pode esquecer, contudo, diz Bozzano, que os povos anglo-saxões experimentam uma espécie de aversão de raça contra a solução reencarnacionista. (P. 132)
95. Essa discordância, entretanto, não tem maior importância, porque os próprios Espíritos reconhecem que ignoram muitas coisas e julgam então segundo suas aspirações pessoais. Há até quem informe existir uma espécie de "segunda morte" nas esferas espirituais, precisamente como se morre no mundo dos vivos, ou seja, quando um Espírito chegou à maturidade espiritual, adormece e desaparece de seu meio, sem que os outros saibam o que foi feito dele. (PP. 133 e 134)
96. As opiniões preconcebidas dos Espíritos – pró ou contra a teoria das "vidas sucessivas"– contribuem, provavelmente, para acentuar entre eles o desacordo sobre esse ponto. Com efeito, os que experimentam aversão à teoria impedem, por esse fato, que as lembranças de suas vidas anteriores lhes surjam da memória latente, enquanto os que pensam favoravelmente à doutrina favorecem, com esse modo de pensar, a emergência de suas recordações. (P. 134)
97. É de notar-se, assim, que tudo contribui para demonstrar que a verdade acerca das "vidas sucessivas" deve estar reservada a entidades que existem em condições espirituais muito evolvidas, condições que favoreceriam a emergência espontânea das recordações desta natureza. (P. 135)

Respostas às questões preliminares

A. Quem foi, na Inglaterra, Felicia Scatcherd e que contém sua comunicação post mortem?
Felicia Scatcherd, que faleceu em 27/3/1927, foi uma das personalidades mais em evidência no movimento espiritualista inglês e quem fez as primeiras experiências importantes de que nasceram as teorias da "fotografia do pensamento" e da "ideoplastia". Eis os detalhes contidos em sua mensagem: a) a informação de que o trespasse lhe foi fácil; b) o reencontro com muitas pessoas queridas, inclusive sua mãe; c) o fato de ter sido conduzida a uma maravilhosa morada que os próprios Espíritos haviam criado pela força do pensamento; d) a notícia da existência de outras esferas infinitamente superiores à em que estava; e) o período de sono reparador, ainda que muito curto; f) a visão panorâmica dos fatos de sua vida, se bem que sob a forma de uma multidão de lembranças que lhe invadiam a mente; g) a visão de uma nuvem fluídica que havia de lhe constituir o "corpo espiritual", chegando ela a modelar o próprio semblante, a que deu traços juvenis. (A Crise da Morte, pp. 115 a 121.)
B. Que disse Felicia Scatcherd sobre os "germes da vida" e os "fluxos vitais"?
Felicia aludiu, em sua comunicação, à existência de esferas espirituais mais elevadas, de onde os Espíritos que as habitam enviariam os "germes da vida" aos outros mundos do Universo, empregando o poder criador do pensamento. Segundo ela, haveria entidades espirituais muito elevadas que, pelo seu pensamento criador, engendrariam "fluxos vitais". Estes, atingindo os mundos e saturando-lhes o protoplasma primitivo, lhe transmitiriam os germes da vida vegetativa que, graças a um processus evolutivo muito lento, a realizar-se no meio físico, acabaria por engendrar a sensibilidade, depois a motricidade, em seguida o instinto animal, os primeiros albores da inteligência e, por fim, a inteligência consciente de si mesma. Assim se chegaria à criação de uma individualidade pensante. (Obra citada, pp. 122 e 123)
C. Que revelações nos traz o décimo quarto caso?
Extraídas do livro Messages from the Unseen, as mensagens constantes deste caso apresentam os seguintes detalhes: a) o esquecimento de como se deu a travessia do Espírito para o meio espiritual; b) o sono reparador, após o que a comunicante se viu renovada, exuberante de vida, mais lúcida de espírito e mais ditosa; c) o encontro com os seres que ela amara na Terra; d) a informação de que uma vida de lutas e sofrimentos na Terra favorece o bem-estar da pessoa na vida espiritual; e) a confirmação de que, no meio espiritual, os pensamentos substituem a palavra e não apenas vibram em uníssono com as almas, como revestem cores admiráveis e se transformam em sons muito harmoniosos; f) a notícia de que as vestimentas no mundo espiritual são criações do pensamento, constituídas de elementos tirados do meio espiritual; g) a informação de que a recordação de suas existências anteriores lhe viria gradualmente. (Obra citada, pp. 124 a 132.)
D. Por que a reencarnação não era, entre os povos anglo-saxões, ensinada por todos os Espíritos?
Bozzano diz que a teoria das "vidas sucessivas" era o único ponto importante em que existia um desacordo parcial nas mensagens dos Espíritos. Se entre os povos latinos eles afirmavam constantemente a realidade das vidas sucessivas, entre os povos anglo-saxões estavam eles em desacordo, na proporção de dois terços que negavam a reencarnação e um terço que a afirmava. Não se pode esquecer, afirma Bozzano, que os povos anglo-saxões experimentavam uma espécie de aversão de raça contra a solução reencarnacionista, o que talvez explique a causa dessa divergência . (Obra citada, pp. 132 a 135.)

Nota:
Links que remetem aos 3 textos anteriores:




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